terça-feira, 16 de junho de 2015

O Bellator perdeu sua essência?

  A chegada de Scott Coker no comando do Bellator trouxe mudanças marcantes para a organização. O fim dos torneios foi a mais desagradável delas, pelo menos para os fãs ''hardcore''. O lema ''onde title shot são conquistados, não dados'' infelizmente talvez não valha mais para à organização, visto que alguns vencedores de GP, que deveriam ter prioridade em uma disputa de cinturão, foram deixados de lado, e só entrarão no cage primeiro contra os campeões devido à lesões. Foi o caso de Daniel Weichel, que enfrenta Patricio ''Pitbull'' na próxima sexta, e também de Andrey Koreshkov. Inicialmente Douglas Lima, campeão meio-médio, enfrentaria o popular Paul Daley, mas uma lesão do Brasileiro causou o adiantamento do combate, fazendo com que o inglês fosse posto para lutar contra André Santos. Daley conseguiu a vitória, mas a performance mostrou que é bastante improvável que ele tire o cinturão de Lima (há de dar méritos a André 'Chatuba', que foi bastante guerreiro e fez uma performance muito boa), e que Koreshkov é um adversário mais interessante para o campeão dos meio-médios.

  Quem ficou em situação pior que os desafiantes citados acima foi o ex-campeão peso pesado Alexander Volkov, que deveria ter ganho a revanche contra Minakov, já que foi o ganhador do último torneio da categoria, mas foi derrotado por Tony Johnson em sua última aparição no cage circular. Volkov já está marcado para enfrentar Cheik Kongo, dia 26 desse mês, enquanto o campeão Vitaly Minakov não luta há mais de um ano.


último torneio dos penas

  Sabemos que outras organizações não tem planteis vastos como o UFC, mas o Bellator contornava isso bem, na medida do possível, com os torneios. Um vencedor de um torneio era um legítimo desafiante, além dos GP's serem ótimos para descobrir novos talentos. Caso ainda existissem, não teriamos tido o desprazer de ver Kendall Grove disputando um cinturão. Creio que GP's curtos, com apenas quatro lutadores, seriam muito proveitosos para a organização. Um torneio dos leves com Melvin Guillard, Paul Sass, Derek Anderson e Pablo Villaseca (ou outros prospectos no lugar desses dois últimos), poderia ter a volta por cima de algum reconhecido lutador (Guillard que está em má fase há um certo tempo, ou Sass que não luta desde 2013 e que em minha opinião foi demitido injustamente do UFC, é um lutador com muito potencial); ou a consagração de um prospecto, como tantas vezes já vimos no Bellator. Pat Curran, Dudu Dantas, Patricio Pitbull, Michael Chandler, Will Brooks e Liam McGeary que o digam. Outros lutadores que já fizeram muito em suas categorias poderiam trilhar o caminho de volta ao cinturão por fora de torneios, Chandler e Shlemenko (quando voltar da suspensão) por exemplo. Como foi proposto por Bjorn Rebney, ex-campeões poderiam ganhar title shots sem vencer torneios.
  Algo que chama bastante atenção com a chegada de Coker são as lutas reprováveis esportivamente falando, porém com um fortíssimo apelo comercial. Tito Ortiz vs Stephan Bonnar e na próxima sexta Kimbo Slice vs Ken Shamrock. Chega a ser um freakshow essa última luta mencionada, mas tem seus pontos positivos. Ortiz vs Bonnar teve uma audiência incrível, e Kimbo vs Shamrock deve ser maior ainda. Além de espectadores esses combate strazem grana e atenção não só para a organização, mas para os lutadores que estiverem no mesmo card desses popstars (e por que não um torneio no mesmo card desse tipo de luta).
  Já vi algumas pessoas falando em grupos da internet que não existe mais aquele clima antigo para assistir eventos da segunda maior organização de MMA, mesmo quando o card era mais fraco os torneios traziam uma grande empolgação. Eu sinto o mesmo.
 A chegada de Scott Coker certamente trouxe coisas boas, mas o fim dos torneios fez o Bellator não só perder sua 'alma', mas também perder esportivamente. Tenho certeza que é possível aliar a busca por crescimento e lucro com a velha meritocracia que existia na organização.

Nenhum comentário:

Postar um comentário